Quimera

Na manhã constante que ocupa o seu modo de viver, perdura o anseio do que é curioso e distinto. Acordar d’outro lado do leito, recitar termos nunca ditos ou completar a coleção de matryoshkas, ah, isso já não lhe trazem mais a essência do incomum. Seu ventre, calabouço das fantasias alegóricas. Sua face, jaula dos […]

La lune

Todos os dias ordenava para a minha vitrine os ternos traços, que dessa maneira os julgava, de mim. Decepcionava os que procuravam por marcas notáveis à primeira vista. Após duas ou três olhadelas, esgotava-se o meu leque de cartas nada radiantes. Em meio ao ritual do revés, pela pequena fresta da janela, eu avistei uma luz. Foi […]

Cela

No fim do mundo que ninguém habita, mesmo assim, encontrei a solidão. Sentada na melhor poltrona, reconheceu o meu semblante com a rapidez de uma dormideira ao frágil toque. Corri do que vi. Corri do que senti. Aproximando-se de mim, sussurrou o medo, o vazio. No primeiro estorvo, confessei. Logo demos as mãos. – Nesta vida […]

A Gaveta

Estava ali. Sempre esteve. Ela fez questão de cessar o estado de inatividade de determinados instantes. Lembranças vagas saíram pelos ares e deixaram muito a supor. Ficou escrito, guardado, o que outrora já fez sentido para um coração apiedado. Estava ali. Sempre esteve. Trancada, jamais. (Ouvindo “Fleetwood Mac – Dreams (Take 2)”)

Extremo

No momento em que li suas palavras, foi como sentir o gás cianeto adentrando os meus pulmões. A cidade em mim virou fantasma e dizimou cada transeunte que estava sobrevivente. A morte lenta, todavia, não matou aquelas palavras. Nosso hobbie tornou-se o agendamento de compromissos. E também desmarcá-los sempre que fosse possível. Tudo tão constante […]