La lune

Todos os dias ordenava para a minha vitrine os ternos traços, que dessa maneira os julgava, de mim. Decepcionava os que procuravam por marcas notáveis à primeira vista. Após duas ou três olhadelas, esgotava-se o meu leque de cartas nada radiantes.

Em meio ao ritual do revés, pela pequena fresta da janela, eu avistei uma luz. Foi quando em ti, me vi.

A Lua refletia minhas faces através de suas fases. A cheia, mais abundante, escondia-se por detrás de um minguo e turvo semblante.

Há tantos que suspeitam da aparição da cheia. Mas quem se importa?

Em você eu transbordo. Derramo pelos seus declives doses de fascínio, ternura e desejo. Escorrem pelas porções sensíveis toda vertente deleitável à palma da mão.

Dispa-me os olhos, a roupa, a boca e os sentidos. Porém jamais me retire este sentimento que por ti não finda.

Há tantos que, decerto, não me conhecem. Não tem problema. Pois só com você avistei o melhor de mim.

(Ouvindo “Desire – Under Your Spell”)

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