(De) novo amor

E é assim, transbordando o vazio, que o amor vem. Aparece como quem não espera. Não pergunta, invade. E mesmo sabendo o que há por dentro, insiste. O amor destroi. Desmancha. Devasta. Porém não é só de dês sórdidos que o amor se integra. Ele também é capaz de desabrochar. Floresce em meio de dois, três, quatro. Meio torto ou completamente findo, se recupera. O amor é viagem de trem leste-oeste. É de ida. É de volta. Algumas vezes só vai e nunca vem. Cansa. Muda o itinerário. Perde-se. Encontra-se na sensação do outro e faz-se a própria. Sedimenta-se no vago. Imprime sobre a pele as razões de ser incessante, contudo se apaga por fora e não é capaz de dissimular o que há no âmago, na alma, no fundo. O amor pode ser uma lágrima ácida. Pode ser, como o pitoresco koan, o som de uma única mão que bate palmas.

– Dentre todos os amores, a vantagem está naquele que, mesmo no fim da passagem, acredita na possibilidade do seu recomeço.

(Ouvindo “Alicks – Forget”)

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