Cachos de conversa

Meu eu é incompleto, opaco, amargo. Mais que isso: meu eu é doce. E prometo sê-lo. Prometo sê-lo xícara, cortina e brisa. Prometo qualquer função que sequer esteja em seu pensamento. E tudo por conta do meu mundo que não se encontra em seu devido lugar. Faltam-lhe cômodos organizados em ordem alfabética, faltam-lhe verbetes, faltam-lhe estantes, mas não lhe faltam pássaros voando distante, tampouco a índole, o caráter, a espécie, o gênero de uma tola figuração. Eu prometo tudo o que não tenho e ainda a pavorosa ilusão de um pisciano. Eu prometo um sorriso ao fim da tarde tão próximo quanto estão as nuvens deste papel. E caso não lhe seja de bom grado, posso lhe ceder os olhos, o toque, o abraço e um amor, se tolerar.

-Ser um frívolo corpo por onde as palavras regem sem dó até se torna uma condição digna, por complacência. Assim não me perco, por um segundo, do que sutilmente me aproxima de você.

(Ouvindo “Núria Mallena – Quando assim”)

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3 comentários sobre “Cachos de conversa

  1. Caralho meu, eu não consigo escrever mais em Blog, nao gosto da ideia de ser um Diario do que escrevo, gostaria de as pessoas lessem mais, hj em dia tem mais acessos pois o foco é outro! rs
    Mas o seu ta legal meu!

  2. Adorei essa parte: “E caso não lhe seja de bom grado, posso lhe ceder os olhos[…]”
    Você escreve muito bem, não entendo porque que não está no Cronópio.

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