Um desabafo

E os dias têm passado assim. Assim de maneira saudosa, escura e silenciosa demonstrando na veracidade do melhor sentimento meu o quanto você me faz falta. E quanto.
Após dias de correria, luta, cansaço, chego em casa ao som de um turbilhão feroz e faminto. Turbilhão que vem de dentro do meu mais remoto pensamento. Turbilhão que não quer sossegar ainda que o diga a ordem mais racional que o detém. De que adianta a ambivalência da boemia se a escassez de afeto nada se altera com o prazer comprado às custas de diez nuevos soles?
Em meio à tanta violência e a tantos deveres, nada tira de cena a protagonista falta que você me faz. Com a falta não há mais a segunda voz para obter respostas, tampouco para dizer, baixinho, no meio da noite, o quanto meu coração pulsa, mantendo-se vivo, ao saber de você.
E é o não-saber que me desnorteia. Deparo-me até com a lógica de não agir exatamente da melhor forma. Poemas são mesmo solução para alguma coisa? Frases, as queira bem. Uma prosa, quem sabe? Dúbia lógica do amor é assim que se vai.
Eu preciso saber o que se passa em sua vida. Mande-me notícias, escreva-me cartas, um telegrama, sequer. Não me deixe aqui sozinha sentada à beira do cais esperando a pequena embarcação com nossos sonhos. São meus e seus, de mais ninguém.
Deixei a porta aberta, dobrei a sua roupa, aprontei a mesa do café e, sem pressa, deitei no sofá a esperar a sua vinda. Contando os minutos, as horas, os dias. Contagem incansável de quem ama, sofre, erra, mas lhe quer bem.
Na verdade, eu amo.

(Ouvindo “Nando Reis – Pra você guardei o amor”)

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