Vejo você

Passei despercebida em meio a grandes arranha-céus. Desviei diversas vezes meu olhar de semblantes deslocados. Coloquei as mãos no bolso para que ninguém as pudesse tocar. Tudo porque andei a guardar meu melhor gesto só para você. Senti, no meio do caminho, não uma pedra. Mas que eu necessitava de tempo para raciocinar a melhor forma de encontrá-lo. Parei, demorei, voltei e apareci sem ao menos ensaiar o primeiro sorriso.

O modo de olhar, há tempos esperado, por fim chegou. Sua estação de trem, cheia de viajantes à volta, era o cenário perfeito para um bom abraço de chegada após anos sonhando em sua viagem que, inclusive, não possuía data prévia para desembarque.

Diga-me como está. Assim tão lindo. Tão simples. Tão tudo. Tão você. Alguns sorrisos de mais e em exagero. Mas o que se faz quando não se sabe o que fazer? Existe algum manual que me torne clara? Diga-me como está, só isso.

A entrada, o sonho, a expectativa, o sorriso, o olhar. Você e mais nada. A irritabilidade dos nervos por não saber se isso, se aquilo. E por fim, o encontro tão esperado das mãos, com açúcar e com afeto, sob medida.

Deixa-me apertar você, sentir você tão por perto. Agora, depois de tanto tempo a esperar, o mundo é só meu e seu, de mais ninguém. Sinto o seu perfume, você o meu. De nada importa no momento. Eu gosto de estar com você, e isso é o que realmente importa. Sinto meu eu em você. Sinto a falta que faz você. Sentimento fruto de sonhos embrulhados dados de bom, muito bom grado.

Sorrisos mais. Sorrisos por eu ficar sem jeito. E depois percebo o vento arrastando as folhas em meu coração. Folhas de amor que perdi. Você então me olha nos olhos e diz que somos iguais. Dança, canta e floresce em mim um novo amor. Não digo o que me aprisiona, mas você sempre liberta. Assim a paixão desperta com a melhor maneira de se dizer um bom dia.

Cuida assim de mim, eu cuido de você. Não quero ser um verão, um outono, um inverno ou uma primavera. Quero aprender com você a estender o tempo e a dizer. Dizer o que vem do peito. Dizer o que vem quando vejo. Aquecendo o sentimento de forma única com nossa magia sem igual.

Somos apenas eternas crianças que andamos juntas a amadurecer, aprendendo a cada dia a reviver palavras ditas e não ditas de corações que jamais puderam se esquecer.

(Ouvindo “Cat Power – Metal heart”)

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