Saudade

Até mesmo o casmurro frequente
Ora o cansaço da vida sente
Na morbidez de dias vagos
Onde longamente faltam abraços.

A musicalidade inconsciente,
Sem ritmo como quisera,
Ora sente a vontade de ser rima
Em palavras de um romance-quimera.

Enquanto o poeta exímio
Gira em torno do gosto ruim,
O ser que cria, destrói e
Borra a sua chaga com a
Diáfana tinta nanquim.

Deixa que sinta o amor abrigo.
Esmoreça o tolo coração de ferro
Para que mesmo diante de
Outro coração bonito
Sinta ele vontade de ser cego.

A fim de que a angústia de quem finda
Agora viva, seja então a lírica de amor.
Assim a dedicatória casta não se cansa
De tanto sentimento encantador.

Que a trova de escárnio
Ceda lugar à saudade que emana
Pois, sendo ela, de afeto e tanto,
Origem da paixão de quem se ama.

(Ouvindo Bob Dylan – Positively 4th street”)

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