Eremita

Meu mundo só
Era tão bom
Que não tinha dó
Desse meu dom.

Eu quis ser sozinha
Mas num sonho fui me chocar
C’outra alma mesquinha
Que tampouco sabia amar.

Cansei de rimar.

—————————————————

Cheguei ao ponto
De desconhecer o meu eu.
E tudo virou desaponto,
Desfazendo devaneio meu.

Sem o mínimo de cuidado
Todo o sangue derramei.
E o fato inesperado
Aconteceu fora da lei.

Cansei de rimar.

—————————————————

Depois do ocorrido,
Tentei ser um mito
Vivendo como um ermitão.
Que contradição.

Cansei de por em verso.

—————————————————

Mas aos poucos fui esquecendo que em mim pulsava um coração.

Cansei.

(Ouvindo “Cartola – As rosas não falam”)

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