Complexidade intuitiva

Meu coração não chora. Aliás, sente-se feliz externamente já que compraram o choro de um pobre burguês falido e fajuto. Ele sente medo e demonstra. Vive em meio do antagonismo do sofrer e viver.

Sinto pena desse coração. Coração medroso, falho e precipitado. Não sabe guardar segredos e esconde-se de verdades absolutas um tanto incontestáveis! Ele lamenta seu receio em arriscar. Cria teorias. Recita sonetos incompletos. Deixa o último parágrafo em branco. Não conclui, não cria. Porém em meio desse terror, enxerga ao longe o princípio de um romance. Mas não termina, nem cumpre. Só almeja, mais nada.

Sinto vergonha desse coração. Coração amedrontado, sem graça e oprimido. Perde no jogo suas chances em troca de pequenas cartas de esquecimento. Muitas vezes junta tantas delas que, finalmente, não se lembra de nada. Só recorda que não foi feliz.

Sinto pena desse coração. Coração apático, cego e apaixonado. Que não assume sentir o que sente. Que prefere viver o futuro ao presente. Que passa despercebido e fica tímido ao deparar-se com a pessoa a quem tem afeição. Que lúgubre continua e não discute.

Sinto agrura desse coração. Coração inconstante, maculoso e pecador. Que ama experimentar a solidão pós-espetáculo dramático. E delira, fantasia e quase morre. Ele sente saudade. E também gosta, mas deixa tudo isso velado, trancado dentro de um baú cinza-enferrujado.

Perdoem esse coração. Não sabe o que faz, vive na dúvida e no fim, não tira proveito de nenhum ensinamento. A esse paupérrimo coração o tédio! Afinal, tudo aparenta tanger ao niilismo. Mas por favor: aceite a sua rosa.

(Ouvindo “Lupicínio Rodrigues – Um favor”)

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