Desconcerto

Minhas entranhas são estranhas
A mim.
Minha bela capa me recobre
De você.

O meu rosto é marcado por
Veias abertas onde sangue sadio
Não corre mais.

É doente sentir-se outrém.
É inválido não ser a mim mesma.

Durante noites mal dormidas
Me contorço.
A cada dia ensolarado e tedioso
Entristeço.

Mas quando chovem delírios
Deixo que as gotas d’agua toquem
Meus olhos.
Gosto de provar a essência da
Minha jovem velha infância.
Sinto-me eu.

E todo o sentimento funesto
Macabro,
Ou sombrio.
Vai-se,
Como um ligeiro pensamento leviano.

Porém as pessoas correm da chuva.
Escondem-se dentro das casas.
Fecham-se as janelas.
E no final de tudo só resta
minha voz ubra.
Sem graça da diferença.

A questão é que a chuva
É passageira.
E passa.

(Ouvindo “The xx – Shelter”)

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